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As passarelas para pedestres deveriam ser banidas das cidades

Por Felipe Alves.

Essa semana tive o desprazer de ver uma campanha da AMC (órgão de trânsito local), indicando para as pessoas usarem “as passarelas e demais equipamentos destinados para quem caminha (…) para evitar acidentes”. Não vou focar no porquê de atropelamentos não serem acidentes – os técnicos da AMC sabem disso, só esquecem de instruir quem controla as redes sociais. Falarei porque defendo que as passarelas para pedestres sejam banidas das cidades.

Desde a década de 1920, quando começam a inserir os carros nas cidades, se criam proibições das pessoas caminharem nas ruas, pontos específicos para travessias, semáforos que priorizam o fluxo motorizado, e outras medidas que tornam o carro o protagonista. Em vias onde insistem em manter uma velocidade alta para os carros, constroem passarelas elevadas, a fim de manter o fluxo rápido não terem que parar para ninguém atravessar.

Há casos em Fortaleza, que para atravessar uma avenida de 4 faixas (2 por sentido), ao invés de andar 15 metros em linha reta, o pedestre é obrigado a percorrer cerca de 400 metros para fazer o caminho pela passarela, e ainda tem o esforço da subida. É um absurdo aumentar tanto o caminho de quem se desloca com a própria energia, para encurtar e deixar mais rápido o de quem conduz um veículo motorizado, não faz esforço e geralmente está no ar condicionado. Muitas passarelas também são pouco utilizadas por serem consideradas um caminho mais perigoso, especialmente para mulheres e à noite.

A Política Nacional de Mobilidade Urbana, aprovada em 2012, determina que o foco no planejamento devem ser os pedestres e a mobilidade ativa, seguidos do transporte público, o de cargas, e só por último os veículos individuais motorizados, como carros e motos – mas infelizmente ainda se faz tudo ao contrário.

O Código de Trânsito Brasileiro, de 1998, determina que a responsabilidade é sempre do condutor do maior veículo em relação aos menores, e de todos pelos pedestres. Já passou da hora do poder público planejar corretamente, e responsabilizar quem deve ser responsabilizado.

 

Felipe Alves é engenheiro civil e atua com mobilidade urbana sustentável. Ex diretor da UCB – União de Ciclistas do Brasil, é coordenador do GT Infraestrutura da UCB e do projeto Ciclomapa (UCB e ITDP).

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Artigo de Opinião enviado pelo autor para publicação no Observatório da Bicicleta, publicado originalmente em Opinião Direto ao Ponto.

 

 

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