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Exemplo de Fortaleza: No Recife, a bicicleta ainda é coadjuvante

Quando o assunto é ciclomobilidade, não é necessário sequer mostrar números para evidenciar a distância que separa o Recife, capital pernambucana, de Fortaleza, a capital do Ceará que, mesmo sendo nordestina, trabalha para virar a cidade mais ciclável do País. Basta tentar pedalar pelo Recife que a realidade se escancara. Na cidade, a bicicleta continua sendo coadjuvante na mobilidade urbana, ainda voltada quase que exclusivamente para o automóvel. Segue sem vez no sistema viário, com poucas estruturas cicláveis e sem protagonismo nas políticas públicas do município, o que elimina as perspectivas. São apenas 52 quilômetros de infraestrutura voltada para a bike e, mesmo assim, desconectada e conquistada a duras penas em praticamente dez anos de gestões municipais. Em quatro anos, a Prefeitura do Recife conseguiu implantar apenas 28 quilômetros. O discurso é de que duplicou a malha da cidade – o que não deixa de ser verdade sob a ótica estatística –, mas nas ruas ele vira espuma. Enquanto isso, em Fortaleza foram mais de 150 quilômetros implantados no mesmo período. E 172 quilômetros em cinco anos.

Não à toa, o descompromisso da gestão municipal com a ciclomobilidade termina por tornar ácida toda a percepção de quem usa e luta pela bicicleta como transporte no Recife. “A prefeitura tem um discurso hipócrita de que inverteu as prioridades na mobilidade urbana e de que está avançando. Mas não está. O Recife é a cidade dos potenciais desperdiçados. É agradável, compacta, mas pensada e operacionalizada apenas para os carros. Fortaleza viu que a bicicleta tem poder político e o explorou. Teve a visão política. Lá, a gestão da bicicleta não é feita pelo gestor do trânsito, como acontece com a CTTU (Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife). É feita por gente que pedala. Quem só enxerga o carro no congestionamento só vai querer encontrar formas de tirá-lo de lá. Não pensa na mobilidade ativa. Não tem coragem de enfrentar o carro, a classe média, de estreitar as faixas de tráfego para acomodar o ciclista no sistema viário”, critica Daniel Valença, da Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo).

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